Escola de Música da Rocinha
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Terça-feira, Abril 21, 2009


UMA ORQUESTRA PARA FORMAR MÚSICOS

A Orquestra de Sopro e Cordas Dedilhadas – OSCD está concluindo o segundo ano de atividades com o patrocínio da UNESCO/Rede Globo, através do programa Criança Esperança. Desde o início de 2007 esse projeto vem mobilizando um grande número de alunos da EMR que desfrutam de uma rara oportunidade de estudar música com alto nível de aprofundamento e de realizar apresentações públicas com regularidade. O projeto tem como um de seus objetivos realizar apresentações em locais com carência de atividades culturais e por isso privilegia o público de bairros da periferia e favelas da cidade do Rio de Janeiro e municípios vizinhos.

O grupo é formado por 35 jovens com idade entre 14 e 24 anos, sendo quatro deles monitores, responsáveis pelos ensaios de naipes, e um regente. Quatorze deles já atuam como monitores na escola dando aulas, sob a orientação e supervisão de professores, para alunos iniciantes dos cursos de Violão, Cavaquinho, Percussão e Flauta Doce. Eles são beneficiários de uma ação da EMR que procura incentivar através da oferta de trabalho e renda àqueles que possuem talento acima da média e que têm interesse em construir uma carreira profissional.

A formação da orquestra inclui um naipe de Violões com nove integrantes (dois violões de sete cordas); um naipe de Cavaquinho com quatro integrantes; um de Flauta Doce (soprano, contralto, tenor e baixo) com 14 integrantes e um de percussão com três integrantes. Do naipe de Flautas Doces, quatro integrantes também tocam Flauta Transversa (2) e Clarinete (2).

O repertório compõe um panorama da música popular brasileira, representado pela obra de compositores que consagraram músicas com grande elaboração harmônica e melódica, como Villa-Lobos, Tom Jobim, Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Egberto Gismonti, e outros que se inspiraram na mais pura fonte popular como Sivuca e Luiz Gonzaga. Também estão presentes Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros. Os arranjos são compostos especialmente para o grupo.

De novembro de 2007 até hoje a OSCD já realizou mais de 20 apresentações, muitas delas em municípios vizinhos ao Rio de Janeiro como Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias, São João de Meriti e Vassouras, e em escolas públicas e projetos sociais nos bairros da Tijuca, Morro da Conceição, Pavãozinho, Recreio dos Bandeirantes, Osvaldo Cruz e outros, sempre para públicos com dificuldades de acesso a programações culturais.

O mês de abril é o último em que a Orquestra contará com o patrocínio do Criança Esperança, e daí pra diante o trabalho vai prosseguir apenas com os integrantes que concordarem em participar do projeto sem receber a bolsa mensal de R$ 100,00. Ainda não temos ideia de quantos devem continuar, mas já sabemos que daremos sequência ao projeto de qualquer forma, inclusive com a perspectiva de agregar novos integrantes que estão despontando nos diversos cursos oferecidos na escola.

A grande maioria dos alunos que participa da OSCD teve um avanço significativo em sua relação com a música. No início deste ano, dois deles ingressaram na universidade no curso de Licenciatura em Música. Vários outros têm interesse em seguir o mesmo caminho, e isso mostra o quanto a EMR está acertando em seu trabalho de formação musical, estimulando os jovens a aprofundarem os estudos na área e a valorizarem a formação. Acreditamos que, ao enfatizar a importância do aprofundamento nos estudos, estamos contribuindo para que esses jovens ampliem suas chances de inserção no mercado de trabalho, seja como músicos, seja como professores de música.

Vamos continuar buscando patrocínio para a OSCD, mas mesmo que isso demore a acontecer vamos manter o projeto em funcionamento, inclusive buscando gerar recursos com a realização de concertos didáticos em escolas particulares e outras ações. Acreditamos que a OSCD para sempre funcionará como um importante campo de formação para futuros profissionais da música formados na EMR.

A pergunta que fica no ar:
Os projetos sociais que atuam na área da formação musical estão cada vez mais ganhando reconhecimento no meio musical, inclusive o acadêmico. A cada ano, um número maior de licenciandos em música e professores pesquisadores volta seu olhar para projetos que servem de campo de observação para suas pesquisas.

Você acha que a Universidade deve ampliar sua relação com os projetos sociais e deve considerar este segmento como um assunto que deve constar das grades curriculares dos cursos de Licenciatura?


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